Arquivos da categoria: Artigos Sul-Sul

“Chindia”: perspectivas das relações indianas e chinesas

Clarice Tambelli

Quando se trata de opor à demandas provenientes de países ocidentais, China e índia unem forças, o que muitas vezes, leva a uma convergência de interesses nas discussões de âmbito multilateral as quais fazem parte. Se argumenta, porém, que o entendimento no campo multilateral não ajudou na resolução de problemas bilaterais cruciais desses países. Continue lendo

A Política Externa sul-africana e o jogo interno: o conflito da República Centro-Africana

Amanda Domingues

O conflito civil na República Centro Africana (RCA) recebeu assistência externa da África do Sul que conta com o melhor exército do continente. O episódio gerou debates a respeito de políticas, mas também conflitos internos entre os vários partidos, que tomaram posições divergentes face ao incidente. Continue lendo

Agendas para a Política Externa sul-africana

Amanda Domingues

Em 1994, com o fim do Apartheid, a África do Sul se torna uma república presidencialista. Hoje, o país possui dois partidos principais que ocupam mais de 82% dos assentos da Assembleia Nacional eleita em 2009: o partido governista African National Congress (ANC) e o partido de oposição Democratic Alliance (DA). Continue lendo

Ciência e Tecnologia: prioridade estratégica do IBAS

Amanda Domingues

A ciência e a tecnologia (C&T) são reconhecidamente áreas que aproximam nações no âmbito econômico e são bases importantes para a construção de relações diplomáticas estáveis. A parceria trilateral entre Índia, Brasil e África do Sul (IBAS) previu o investimento em C&T como pilar para a construção de uma cooperação que afeta positivamente o desenvolvimento destes países. Continue lendo

A cooperação espacial Brasil-China

Amanda Domingues

Nos últimos 20 anos, a China tem sido o parceiro que mais colaborou com o Brasil no âmbito da pesquisa espacial. Este campo necessita de grandes investimentos e por isso aposta amplamente em colaborações internacionais que possibilitam o compartilhamento de custos e a transferência de conhecimento.

Na tentativa de reverter o contexto de dependência em relação aos países desenvolvidos no desenvolvimento e transferência de tecnologias sensíveis do setor espacial, o Brasil inaugurou no final dos anos 80 uma parceria com a China com o objetivo de construir dois satélites de sensoriamento remoto. O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite – Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) é uma parceria entre o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), instituto de pesquisa vinculado ao governo federal e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial). Continue lendo

Eleições parlamentares indianas de 2014 e suas influências nos BRICS

Clarice Tambelli

A agenda política definida pelos partidos no poder são importantes para compreensão das atitudes e alinhamentos dos países no âmbito internacional. Assim, as eleições parlamentares indianas de 2014 terão impacto nas decisões deste país ante ao cenário estrangeiro, e mais especificamente, no seu posicionamento frente aos BRICS?

Desde 2004 a Índia é governada pelo Partido do Congresso (United Progressive Alliance- UPA). Uma coalizão de partidos políticos de centro esquerda, formada após as eleições gerais de 2004, que detém a maioria (medida em número de cadeiras) na chamada câmara baixa- Lok Sabha- do Parlamento indiano. Sonia Gandhi e Manmohan Singh, respectivamente presidenta do Congresso e primeiro-ministro, são ambos membros da UPA. Continue lendo

Transparência democrática e accountability institucional: o debate do apoio à República Centro-Africana

Amanda Domingues

Em março de 2013, treze soldados sul-africanos morreram em um conflito na República Centro-Africana (RCA). O episódio gerou grandes debates internos na África do Sul envolvendo questões de política e externa e interna. As mortes representaram a maior perda militar do país desde o fim do Apartheid.

A RCA é um dos países menos desenvolvidos do mundo, apesar de possuir grandes reservas minerais. Desde sua independência, em 1960, o país enfrenta incursões rebeldes, confrontos e golpes de estado. Em 2007, a África do Sul assinou com a RCA um acordo bilateral que foi renovado em 2012, prevendo o envio de tropas com o objetivo de auxiliar a manutenção do governo eleito. No mesmo ano, cerca de 200 soldados se reuniram a centenas de militares já presentes na RCA. Continue lendo

Ainda é cedo? Sobre o ativismo BRICS na Organização das Nações Unidas.

Eduardo Tetzlaff

Estudo realizado demonstra que não há evidências de que os membros do BRICS venham se articulando nas votações da Assembleia Geral da ONU. Ao contrário, o estudo mostra empiricamente a falta de coesão do bloco que já é percebida intuitivamente pelas diferenças  que caracterizam os estados membros. Crise no horizonte, ou a aparente falta de coordenação revela simplesmente os meandros do processo de construção institucional do bloco?

Estudo publicado por grupo de pesquisadores da Loughborough University (Reino Unido), Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica) and Maastricht University (Holanda) demonstra que não há indícios fortes de coordenação dos membros BRIC nas votações da Assembleia Geral da ONU. No entanto, em vista dos avanços políticos conseguidos recentemente, seria razoável pensar que o caminho para a harmonização de posições “intra e extra-muros” seja a pavimentação de um caminho sustentável de institucionalização da coalizão. Continue lendo

Acordos comerciais extra-regionais do Brasil

Camila Schipper

A recente eleição do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo para o cargo de secretário-geral da OMC e também o impacto da crise econômica internacional na economia nacional influiu não só sobre a condução da política econômica brasileira, mas também sobre a política externa. Com a eleição de Azevêdo, a posição brasileira de estímulo às negociações em âmbito multilateral foi reforçada. Por outro lado, o desaquecimento da economia brasileira com uma taxa de crescimento de apenas 0,9% em 2012 suscitou discussões acerca da política comercial do país caracterizada pelos poucos acordos bilaterais celebrados nos últimos 20 anos[1], além dos tratados de preferências tarifárias limitadas com Índia e SACU. Este comportamento parece ir contra a tendência mundial, de aumento de acordos bilaterais e acordos preferenciais de comércio, como é o caso das recentes negociações entre os EUA e UE de um acordo de livre comércio. Continue lendo

IBAS: experiências e perspectivas da Cooperação Sul-Sul

Carlos Sarmento Jr.

Em junho de 2003, no encontro do G-8 em Evian, ficou patente o afastamento dos demais participantes com relação ao Brasil, Índia e África do Sul e a outros países em desenvolvimento, já observados em outros fóruns. A Declaração de Brasília, assinada no mesmo mês, que criou o Diálogo IBAS entre os três países, chamava atenção para a necessidade do aperfeiçoamento do sistema multilateral de comércio, através da remoção das políticas protecionistas e das práticas comerciais distorcidas. Neste contexto, outra aproximação entre Brasil e Índia, às vésperas da V Conferência Ministerial da OMC de Cancún, em setembro de 2003, elevou esses países – com o apoio da China – à liderança na criação do G-20. Um novo encontro, em dezembro daquele ano, na Assembleia Geral da ONU, levou a outro acordo trilateral para fortalecimento das suas relações comerciais, investimentos e diplomacia econômica, para fins pacíficos. Continue lendo

A África do Sul nos BRICS

Amanda Domingues

O recente encontro dos BRICS e a complicada situação econômica pela qual passam seus membros levantaram questões a respeito da desigualdade entre eles, destacando, em especial a recente inclusão da África do Sul no grupo. Apesar das críticas ao tamanho de sua economia, o país representa grande vantagem ao bloco em termos de aproximação com o continente africano.

A quinta reunião de cúpula do grupo dos BRICS aconteceu em março deste ano em Durban, primeira cidade africana a sediar o encontro. Em meio a discussões sobre o Banco dos BRICS, cooperação econômica e facilitação do comércio entre os países, muitas questões foram levantadas a respeito da inclusão da África do Sul como membro do grupo no final do ano de 2010. Continue lendo

Interesses indianos e os BRICS

Clarice Tambelli

Uma reflexão, do ponto de vista de intelectuais indianos, sobre a relevância dos BRICS para a Índia, norteados pela seguinte questão: “BRICS é apenas uma sigla cativante mascarando o acaso, juntando cinco nações em desenvolvimento, mas que em última instância são incompatíveis?”.

Mesmo com a evidente desaceleração nas taxas de crescimento indiana, realidade compartilhada por outros membros dos BRICS, o país ainda possui clara vantagem demográfica (segundo no ranking mundial) e um significativo potencial de crescimento interno. Em meio à discussão dos antagonismos desta sociedade, diversos intelectuais indianos questionam os ganhos, por parte da Índia, de ser um membro dos BRICS. Continue lendo

A criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS

Vinicius Dalbello

Foi aprovada a criação do Banco de Desenvolvimento dos BRICS na V Cúpula , ocorrida em 26 e 27 de março de 2013, na cidade de Durban, África do Sul. O projeto inicial sugerido pela África do Sul é capitalização inicial de US$50 bilhões, sendo fornecidos US$10 bilhões de cada país. O Banco terá a função de fomentar projetos de infraestrutura nos países membros, mas não somente. Com base em suas declarações de cooperação sul-sul, foi decidido que o Banco abrirá seu financiamento para outros países em desenvolvimento.

Em março de 2012, os governos dos cinco integrantes dos BRICS instruíram seus Ministros das Finanças a analisarem a “factibilidade e viabilidade de se criar um Novo Banco de Desenvolvimento para a mobilização de recursos para projetos de infraestrutura e de desenvolvimento…”. Após reunião de um grupo de técnicos dos cinco países nos dias 15 e 16 de agosto de 2012, na cidade do Rio de Janeiro, seguido de análise do projeto pelos Ministérios e pelos Bancos Centrais constatou-se a viabilidade do projeto. Continue lendo