Arquivo mensais:junho 2013

Workshop Legislativo e Política Externa

Pedro Feliú Ribeiro

A compreensão do processo decisório em política externa conecta os estudos de relações internacionais (a maneira como os Estados se relacionam no sistema internacional) com os estudos de política doméstica (o funcionamento do governo e suas relações com indivíduos, grupos ou instituições domésticas). Neste sentido, a compreensão dos fatores domésticos incidentes no processo decisório de política externa serve como uma ponte entre ambos os campos de conhecimento, oferecendo capacidade explicativa complementar às tradicionais análises calcadas em variáveis sistêmicas. O Poder Legislativo emerge enquanto um dos atores domésticos relevantes para a compreensão do processo decisório em política externa, constituindo-se um ponto de veto institucional no caso dos países democráticos. Continue lendo

A vitória do Brasil na OMC

Ruth Costas

Ao assumir o cargo de novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) em setembro, o embaixador Roberto Azevêdo se tornará o brasileiro a ocupar o mais alto cargo em organizações internacionais da linha de frente do sistema de governança global. Azevêdo representava o Brasil na OMC desde 2008 e o governo brasileiro se empenhou para impulsionar sua candidatura, financiando viagens de campanha para mais de 50 países e levando o tema da disputa para a reunião dos BRICS, na África do Sul.

A eleição do diplomata, no mês passado, foi celebrada em círculos governistas como “uma vitória do Brasil” – nas palavras do chanceler Antônio Patriota –, ou um reconhecimento da importância crescente do Brasil e dos países emergentes no cenário internacional. Entre analistas e especialistas em relações internacionais também parece haver certo consenso de que a escolha teve grande importância simbólica. Primeiro, porque até agora a diretoria-geral da OMC vinha sendo ocupada principalmente por europeus (a exceção do período 1999-2005, em que o tailandês Supachai Panitchpakdi e o neozelandês Mike Moore dividiram o cargo). Continue lendo

Capacitação em Negociações Internacionais

CURSO

Capacitação em Negociações Internacionais

Estão abertas as inscrições para o Curso de Capacitação em Negociações Internacionais Julho/2013. O curso, promovido pelo Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni/USP), ocorrerá entre os dias 29 e 30 de Julho.

O objetivo do curso é contribuir para a formação de negociadores e analistas de negociações internacionais, tanto do setor privado como do setor público. Além de tomar contato com os principais conceitos e técnicas de barganha, os alunos participam de simulações e dinâmicas presentes no dia a dia do negociador internacional.

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Kenneth N. Waltz

Camila Schipper

Kenneth N. Waltz, proeminente pensador das Relações Internacionais, morreu no dia 12 de maio, aos 88 anos. Waltz foi um dos grandes nomes das Relações Internacionais, um campo de estudo que remonta os anos 50 após as duas Grandes Guerras e início da Guerra Fria para analisar a forma como os Estados interagem. Os conceitos introduzidos por Waltz inauguraram o neo-realismo ou Realismo Estrutural que considerava os Estados como uma extensão do homem no que se refere a seu comportamento, e a estrutura internacional anárquica como fator independente sobre a conduta dos Estados. Continue lendo

A cooperação espacial Brasil-China

Amanda Domingues

Nos últimos 20 anos, a China tem sido o parceiro que mais colaborou com o Brasil no âmbito da pesquisa espacial. Este campo necessita de grandes investimentos e por isso aposta amplamente em colaborações internacionais que possibilitam o compartilhamento de custos e a transferência de conhecimento.

Na tentativa de reverter o contexto de dependência em relação aos países desenvolvidos no desenvolvimento e transferência de tecnologias sensíveis do setor espacial, o Brasil inaugurou no final dos anos 80 uma parceria com a China com o objetivo de construir dois satélites de sensoriamento remoto. O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite – Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) é uma parceria entre o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), instituto de pesquisa vinculado ao governo federal e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial). Continue lendo

Eleições parlamentares indianas de 2014 e suas influências nos BRICS

Clarice Tambelli

A agenda política definida pelos partidos no poder são importantes para compreensão das atitudes e alinhamentos dos países no âmbito internacional. Assim, as eleições parlamentares indianas de 2014 terão impacto nas decisões deste país ante ao cenário estrangeiro, e mais especificamente, no seu posicionamento frente aos BRICS?

Desde 2004 a Índia é governada pelo Partido do Congresso (United Progressive Alliance- UPA). Uma coalizão de partidos políticos de centro esquerda, formada após as eleições gerais de 2004, que detém a maioria (medida em número de cadeiras) na chamada câmara baixa- Lok Sabha- do Parlamento indiano. Sonia Gandhi e Manmohan Singh, respectivamente presidenta do Congresso e primeiro-ministro, são ambos membros da UPA. Continue lendo

Transparência democrática e accountability institucional: o debate do apoio à República Centro-Africana

Amanda Domingues

Em março de 2013, treze soldados sul-africanos morreram em um conflito na República Centro-Africana (RCA). O episódio gerou grandes debates internos na África do Sul envolvendo questões de política e externa e interna. As mortes representaram a maior perda militar do país desde o fim do Apartheid.

A RCA é um dos países menos desenvolvidos do mundo, apesar de possuir grandes reservas minerais. Desde sua independência, em 1960, o país enfrenta incursões rebeldes, confrontos e golpes de estado. Em 2007, a África do Sul assinou com a RCA um acordo bilateral que foi renovado em 2012, prevendo o envio de tropas com o objetivo de auxiliar a manutenção do governo eleito. No mesmo ano, cerca de 200 soldados se reuniram a centenas de militares já presentes na RCA. Continue lendo

Ainda é cedo? Sobre o ativismo BRICS na Organização das Nações Unidas.

Eduardo Tetzlaff

Estudo realizado demonstra que não há evidências de que os membros do BRICS venham se articulando nas votações da Assembleia Geral da ONU. Ao contrário, o estudo mostra empiricamente a falta de coesão do bloco que já é percebida intuitivamente pelas diferenças  que caracterizam os estados membros. Crise no horizonte, ou a aparente falta de coordenação revela simplesmente os meandros do processo de construção institucional do bloco?

Estudo publicado por grupo de pesquisadores da Loughborough University (Reino Unido), Katholieke Universiteit Leuven (Bélgica) and Maastricht University (Holanda) demonstra que não há indícios fortes de coordenação dos membros BRIC nas votações da Assembleia Geral da ONU. No entanto, em vista dos avanços políticos conseguidos recentemente, seria razoável pensar que o caminho para a harmonização de posições “intra e extra-muros” seja a pavimentação de um caminho sustentável de institucionalização da coalizão. Continue lendo

Acordos comerciais extra-regionais do Brasil

Camila Schipper

A recente eleição do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo para o cargo de secretário-geral da OMC e também o impacto da crise econômica internacional na economia nacional influiu não só sobre a condução da política econômica brasileira, mas também sobre a política externa. Com a eleição de Azevêdo, a posição brasileira de estímulo às negociações em âmbito multilateral foi reforçada. Por outro lado, o desaquecimento da economia brasileira com uma taxa de crescimento de apenas 0,9% em 2012 suscitou discussões acerca da política comercial do país caracterizada pelos poucos acordos bilaterais celebrados nos últimos 20 anos[1], além dos tratados de preferências tarifárias limitadas com Índia e SACU. Este comportamento parece ir contra a tendência mundial, de aumento de acordos bilaterais e acordos preferenciais de comércio, como é o caso das recentes negociações entre os EUA e UE de um acordo de livre comércio. Continue lendo

MARCO VIEIRA

Marco Antonio Vieira é bacharel em Ciências Sociais pela PUC-RJ, mestre em Relações Internacionais pela PUC-RJ e PhD em Relações Internacionais pela London School of Economics (LSE). Atualmente é professor no Departamento de Ciência Política e Estudos Internacionais da Universidade de Birmingham.

Nesta entrevista, concedida durante a realização do Seminário Internacional “IBAS: experiências e perspectivas da cooperação Sul-Sul”, Marco Vieira comenta sobre o futuro da coalizão IBAS e seu papel na governança global. O pesquisador explica também quais são as expectativas da nova parceria iniciada com o CAENI, num projeto conjunto financiado pela FAPESP. Continue lendo

SURUPA GUPTA

Surupa Gupta possui PhD pela University of Southern California at Los Angeles e mestrado pela Jadavpur University. Atualmente é professora do Departamento de International Studies da Mary Washington University.

A entrevista foi concedida durante o Seminário Internacional “IBAS: experiências e perspectivas da cooperação Sul-Sul”, realizado no dia 17 de maio, na USP. Surupa Gupta é colaboradora do NAP-CAENI, já tendo contribuído em projetos anteriores, no seminário realizado em 2005 na USP, no painel que foi organizado no congresso da ISA em 2012, e no livro que foi lançado em 2007 (Oliveira, Amâncio e Onuki, Janina (orgs). Coalizões Sul-Sul e negociações multilaterais. O papel dos países intermediários e o caso IBSA. São Paulo: M. Alternativa, 2007, 224p).

Gupta esteve no Brasil para participar do seminário e ampliar a sua pesquisa, com entrevistas em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro para seu projeto sobre processo decisório em política externa, na Índia e Brasil.

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IBAS: experiências e perspectivas da Cooperação Sul-Sul

Carlos Sarmento Jr.

Em junho de 2003, no encontro do G-8 em Evian, ficou patente o afastamento dos demais participantes com relação ao Brasil, Índia e África do Sul e a outros países em desenvolvimento, já observados em outros fóruns. A Declaração de Brasília, assinada no mesmo mês, que criou o Diálogo IBAS entre os três países, chamava atenção para a necessidade do aperfeiçoamento do sistema multilateral de comércio, através da remoção das políticas protecionistas e das práticas comerciais distorcidas. Neste contexto, outra aproximação entre Brasil e Índia, às vésperas da V Conferência Ministerial da OMC de Cancún, em setembro de 2003, elevou esses países – com o apoio da China – à liderança na criação do G-20. Um novo encontro, em dezembro daquele ano, na Assembleia Geral da ONU, levou a outro acordo trilateral para fortalecimento das suas relações comerciais, investimentos e diplomacia econômica, para fins pacíficos. Continue lendo