Panorama comparado das relações bilaterais dos BRICS

Maria Renata Siqueira

Nas últimas décadas os BRICS cresceram em importância no comércio mundial e abriram suas economias de modo a aumentar sua rede de relações no mundo. De certa maneira esses países vêm consolidando suas posições no comércio mundial através do fortalecimento de suas relações bilaterais.

Uma das orientações permanentes da matriz da política externa brasileira é a práxis do universalismo pragmático, gerada pela necessidade de livrar-se da dependência excessiva dos EUA no século XX. Com o surgimento de novos atores no cenário internacional, o Brasil buscou valorizar ainda mais as parcerias estratégicas e reforçar a sua liderança no plano multilateral. Nos últimos anos, foram reforçados grandes eixos, não excludentes, de atuação internacional do Brasil: o eixo regional, o eixo norte-americano, o eixo europeu, o eixo da orla do Pacífico, e o eixo das potências regionais. Dessa maneira, o respeitável patrimônio de relações bilaterais que o país consolidou nesses eixos fortaleceu a sua capacidade de articulação em níveis multilaterais, e ademais fortaleceram o seu poder de barganha, tanto no plano político como no econômico, elegendo parceiros de maneira flexível para a realização de seus projetos com relativo conforto no cenário internacional. O fortalecimento da cooperação sul-sul, a partir de 1993, consolidou-se em duas vertentes de ação, na manutenção do Mercosul e na ampliação da integração com a América do Sul. Também no plano Sul-Sul, o País busca estabelecer um comportamento de liderança na ação coletiva internacional, como é o caso do IBAS e do G-20.

No caso da política externa chinesa tem adotado uma postura de universalização ocasionada tanto pela necessidade profunda de insumos e mercados como pela transição no sistema internacional que gerou a necessidade de novos alinhamentos na política internacional. Busca ser alternativa aos padrões ocidentais de relações bilaterais, defendendo relações mutuamente benéficas e respeito à soberania nacional dos Estados com que traça parcerias, o que atraiu as forças africanas e latino-americanas para o seu lado. Tal como os outros países membros dos BRICs, a China está descontente com a sua posição no sistema internacional e busca estabelecer o seu papel de ator global emergente rumo a um mundo multipolar, seja através do fortalecimento de suas relações bilaterais seja através da sua consolidação nos espaços multilaterais.

Depois de um momento de reconstrução do Estado e de consolidação política no pós guerra fria, a Rússia, através da retomada de seu relacionamento estratégico com os Estados Unidos, da sua participação intensa nas relações bilaterais com os países emergentes e principalmente a sua manutenção como líder regional com fortes relações bilaterais com os países da Comunidade de Estados Independentes, é o que permitiu a Rússia a recuperação de seu papel de global player que tem poder de influencia no cenário internacional.

A partir da década de 1990 a Índia adotou um processo de liberalização de sua economia e de incentivo às exportações, consolidando-se como importante ator na economia mundial. Dessa maneira atraiu grandes parcerias bilaterais com os Estados Unidos e manteve-se como importante liderança regional do Sudeste Asiático. Além da conturbada relação bilateral que trava com a China em termos políticos. Estima-se que os ganhos vindos das políticas de tratados preferenciais de comércio dos BRICS, mesmo aquelas feitas com as grandes economias mundiais como Estados Unidos e União Europeia, não levariam a tantos ganhos como envolver-se diretamente e mais extensivamente em tratados multilaterais, que podem advir da própria consolidação e fortalecimento da parceria entre seus membros.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-73291998000300003&script=sci_arttext

http://labmundo.org/disciplinas/HIRST_PINHEIRO_PEB_dois_tempos.pdf

http://www.scielo.br/pdf/rbpi/v50n2/a04v50n2.pdf

http://www.scielo.oces.mctes.pt/scielo.php?pid=S1645-91992010000200003&script=sci_arttext#2

http://www.oecd.org/tad/tradedev/42324460.pdf

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