Novas estratégias, novos caminhos

Eduardo Tetzlaff

Com economias que não só resistem, mas que dão sinais de avanço frente ao cenário nefasto da crise econômica que assola a Europa, os BRICS aparentam utilizar tal vantagem aliada a um proativismo diplomático engajado para pavimentar uma nova alternativa ao processo de tomada de decisões na arena internacional.

Diante do grande entrave representado pela reforma do Conselho de Segurança da ONU (UNSC) e a intrínseca crise de representatividade que a atual conformação representa para as economias emergentes, os BRICS parecem buscar em sua coalizão uma alternativa que crie um novo polo de influência no sistema de governança global vigente. O grupo, no entanto, a despeito de seu crescente protagonismo político que avança inclusive na seara social, tem sua certidão de nascimento assinada pela Goldman Sachs, um dos maiores grupos financeiros multinacionais do mundo.

O bloco cuja vocação primeira era aparentemente a econômica, vem ganhando cada vez mais espaço não somente na mídia, mas também nas produções acadêmicas, dentre outras coisas, em vista da própria suplantação de seu escopo. A organização tem ido além da competência econômica e avançado em áreas como agricultura, saúde, energia, tecnologia e infraestrutura o que em si também avança sobre o escopo do IBAS (Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul) o que tem sido apontado como razão para que os dois grupos se fundam.

Há, no entanto, aqueles que criticam tal fusão como o Prof. Oliver Stuenkel da Fundação Getulio Vargas de São Paulo, em artigo publicado na revista Foreign Policy Reseach Center de Nova Delhi, adverte para as perdas e entraves que semelhante iniciativa causaria. Stuenkel afirma que ainda que haja de fato certa sobreposição na pautas dos fóruns, o IBAS é uma instância interessante, dada a ausência da China, pois permite em sua pauta assuntos de importância global que não poderiam ser discutidos francamente no âmbito dos BRICS, tal como o desafio representado pela ascensão chinesa.

Niu Haibin, diretor-assistente do Instituto para Estudos Estratégicos Internacionais em publicação do Friedrich-Ebert-Stiftung de Nova Iorque, classifica didaticamente o protagonismo de Brasil, Índia, China e África do Sul nos assuntos mundiais da atualidade. O pesquisador separa IBSA e BRICS ressaltando as funções de respectivamente militar pela reforma do Conselho de Segurança da ONU mais a promoção de medidas para o desenvolvimento regional com ênfase no continente africano e trabalhar para a construção de uma nova ordem mundial mais igualitária e justa através da reforma de organismos financeiros internacionais, competência à qual o grupo não tem se limitado.

Os BRICS têm deixado de lado a identidade de “clube dos mais” para institucionalizar-se o que talvez, num futuro não tão distante, signifique o surgimento de uma organização de facto. Como afirma Niu Haibin em seu artigo, o grupo tem tentado transformar seu poder econômico em influencia política internacional, pois, como exposto anteriormente, os BRICS se converteram em entidade política com duplo objetivo, o de explorar oportunidades econômicas intrabloco e, mais ambiciosamente, o de reformar o sistema de governança global

Fontes:

HAIBI, Niu. BRICS in global governance : a progressive force? Friedrich-Ebert-Stiftung, Dialogue on Globalization, New York, 2012.

STUENKEL, Oliver. “Why IBSA and BRICS should not merge?” FPR Journal, New Delhi, v.3, p.75-78, 2012.


 

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